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18/01/13

Entrevista com Claudio Giuliano

Presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS)
Claudio Giuliano Alves da Costa é um personagem de muita importância no setor de Tecnologia em Saúde. Além de médico, é mestre em Informática em Saúde pela Unicamp e consultor na área de tecnologia da informação em saúde. Com experiência adquirida em diversos hospitais e operadoras de planos, também atuou no governo federal e secretarias estaduais e municipais de saúde. Atualmente ocupa a presidência da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS), uma das mais renomadas instituições do setor.

Em entrevista à Wareline Conecta ele traçou um panorama da implantação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no Brasil e falou de como elas impactam as relações de trabalho e o atendimento médico nas instituições.

W Conecta: Na sua opinião, o crescimento da TIC na área da saúde está acompanhado pela qualidade dos sistemas oferecidos?

Claudio: Sim. Com o passar dos anos todos os sistemas nacionais evoluíram muito, mas só posso falar do Brasil.

W Conecta: Qual é o panorama que você traça, hoje, sobre a implantação das TICs no Brasil? O quadro é positivo ou negativo e por quê?

Claudio: O quadro é positivo e, pensando nas perspectivas para o futuro, tende a melhorar. O Brasil está crescendo economicamente, a saúde suplementar também e aumenta cada vez mais a profissionalização no segmento de saúde, e isso criou muita demanda para a TI. Existem estudos que dizem que 90% das instituições de saúde vão investir mais em TI nos próximos anos. As empresas do segmento estão percebendo a demanda crescente do setor de saúde por tecnologia e começaram a se mexer. O mesmo boom da TI que aconteceu há cerca de 15 anos no setor financeiro está acontecendo agora na saúde.

W Conecta: Qual a principal razão para as carências tecnológicas das instituições de saúde e os possíveis obstáculos para investimento? Quais soluções você enxerga para esse cenário?

Claudio: As instituições carecem de gestão, porém não enxergam que ela precisa ser cada vez mais eficiente e que as tecnologias podem auxiliar neste processo. A falta de uma gestão é ocasionada pela falta de investimento na área. é preciso mudar essa visão e também o panorama de investimento em TI. O uso dessas tecnologias promove o controle de custos e o aumento do faturamento, mas para isso é necessário um investimento mínimo das instituições. No caso das filantrópicas, onde realmente falta dinheiro, acho que o governo poderia dar o pontapé inicial para mudar o cenário delas.

W Conecta: Para uma instituição de saúde, qual é vantagem de adquirir uma solução certificada pela SBIS/CFM?

Claudio: A vantagem é que a instituição tem a certeza de que está utilizando um sistema que está dentro das normativas
definidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). é evidente que utilizar um prontuário eletrônico, por exemplo, traz benefícios como a diminuição da possibilidade de erro médico e o controle financeiro, mas o sistema deve estar dentro das normas.

W Conecta: Qual é a principal dificuldade das empresas que buscam a certificação da SBIS/CFM, para conseguirem o selo?

Claudio: Fazer as adaptações para estarem de acordo com as normas de segurança, estrutura, conteúdo e funcionalidade. O sistema deve atender a vários requisitos e investir para melhorá-lo é uma dificuldade encontrada pelas empresas. No caso da certificação, o “aluno” só passa se tirar nota dez, se tirar 9,9 está reprovado.

W Conecta: Desde quando a certificação e garantia de qualidade dos sistemas começou a tornar-se importante no Brasil? O que acarretou isso?

Claudio: Passou a ser importante em 2007, quando o CFM criou a resolução 1821 e estabeleceu que todos os sistemas deveriam atender a certas normas. O manual com todas as normas caminha para sua 4ª versão, pois elas evoluem em conjunto com as novas tecnologias.

W Conecta: Como a utilização do PEP nas instituições de saúde mudou as relações de trabalho e como o médico, principal envolvido, foi atingido por isso?

Claudio: Ele ainda está sendo impactado. Aqueles que utilizam podem estabelecer um nível de produtividade maior e oferecer mais assistência ao paciente. Tudo fica mais fácil, pois todas as informações como diagnóstico, histórico e medicamentos utilizados estão organizadas e disponíveis. No entanto, isso só ajuda se o sistema for bom, porque se for ruim só atrapalha. Tem que ser fácil de usar e agregar vantagem para o médico.

W Conecta: Alguns profissionais de saúde dizem que o surgimento do PEP/RES permitiu dar mais atenção ao paciente, pois diminuiu o tempo gasto com trabalho burocrático. Você acredita que a evolução da informática médica pode resultar em um atendimento mais humanizado nas instituições de saúde?

Claudio: Não tenho dúvida disso! Com certeza o uso de ferramentas como o PEP possibilita ao médico dedicar mais tempo e atenção ao paciente. Algumas pesquisas comprovam que, se bem utilizadas, essas ferramentas podem até aproximá-los.

Entrevista realizada em Setembro de 2012 e publicada originalmente na revista Wareline Conecta – edição 1
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